Terça-feira, Dezembro 1

Não quero ser aqui.

Não quero ser aqui. Ser chuva. Ser casa. Ser país. Ser espaço. Ser vida.
Não quero.
Não aqui.

Calisto abriu o Baú às 13:12.




Sábado, Novembro 28

E eis que...

Este episódio, que deu origem à primeira definição de um até aí ignorado pecado original, nunca ficou bem explicado. Em primeiro lugar, mesmo a inteligência mais rudimentar não teria qualquer dificuldade em compreender que estar informado sempre será preferível a desconhecer, mormente em matérias tão delicadas como são estas do bem e do mal, nas quais qualquer um se arrisca, sem dar por isso, a uma condenação eterna num inferno que então ainda estava por inventar.

José Saramago, Caim (pp. 14-15)

Calisto abriu o Baú às 11:35.




Segunda-feira, Agosto 24

Liberdade...

Livros são papéis pintados com tinta. 
Estudar é uma coisa em que está indistinta 
À distinção entre nada e coisa nenhuma.

Fernando Pessoa

Calisto abriu o Baú às 01:24.




Quinta-feira, Maio 7

Objecto

Há que dizer-se das coisas
o somenos que elas são
(...)

Ary dos Santos

Calisto abriu o Baú às 23:11.




Domingo, Abril 26

Mónica

"Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da "Liga Internacional das Mulheres Inúteis", ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas as sociedade musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria.

(...)

De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.

(...)

É por isso que Mónica, tendo renunciado à santidade, se dedica com grande dinamismo a obras de caridade. Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome. Mas a vida continua. E o sucesso de Mónica também.

(...)"


Excertos de Mónica,
em Contos Exemplares
de Sophia de Mello Breyner

Calisto abriu o Baú às 12:20.




Sábado, Abril 25

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner

Calisto abriu o Baú às 20:38.




Terça-feira, Abril 14

Amanhã vou ser feliz.

Amanhã vou tirar fotografias à minha cidade. Vou conseguir mostrá-la através dos meus olhos. Vou pegar-te na mão e vamos passear. Eu vou ser eu em férias e tu vais ser perfeito como sempre. Vou fazer as minhas coisas. Sem mais. Só coisas minhas sem importância nem magia. Coisas de todos os dias, sempre para fazer amanhã. E amanhã vou usar as minhas lentes de ver o mundo. E vou parecer feliz nas fotografias. E vou estar no sítio onde estou, completamente. Amanhã vou estar e ser livre de tudo. E vou poder pensar e sorrir e brincar e acreditar em coisas de crianças outra vez. E vou ser outra vez como a Jo do Mulherzinhas e vou ler o Ivanhoe para cima da árvore que já não existe enquanto como maçãs vermelhas e me divirto com o som das dentadas. Amanhã vai chover torrencialmente e eu não me vou importar. E vou correr até ao farol e imaginar as aventuras dos cinco entre os barcos do mar da Póvoa. Amanhã vou saber de novo o poema do António Nobre que fala dos pescadores, e vou ser capaz de ler o Lisbon Revisited com os olhos fechados. Amanhã vou acreditar que seria capaz de ser corajosa e valente se tivesse nascido há 50 anos atrás. Amanhã vou descobrir que posso escrever porque isso faz parte de mim. E vou ser capaz de fazer compras em shoppings abandonados dos anos 80. Amanhã Braga vai ser de novo a minha casa. E não há canteiros ridículos, prédios com certificado energético, bares gourmet, ou túneis gigantes que me convençam do contrario. Porque amanhã posso ir a pé à sessão das 14:30 do cinema avenida, ficar à espera dos amigos sentada nas escadas do registo civil e comprar pipocas porque vou ver uma comédia a que vou achar graça. E depois podemos passar na celeste e pedir só um copo de água. E ir à vadeca descobrir se o cantor que vinha no jornal na semana passada valerá mesmo a pena. E se valer, vamos pô-lo na lista de presentes de aniversário. Depois podemos voltar para casa, para os livros e para os cds. E podemos não pensar em mais nada. Podemos só acreditar que vamos ser adultos fabulosos e que vamos cumprir todos os sonhos e todas as promessas. E no fim de amanhã posso voltar a hoje, porque hoje já não vai ser nada. Hoje será nada mais que outro dia sem significado nem emoções. Mais um dia em que me lembrei de amanhã. E amanhã vou ser feliz.


Calisto abriu o Baú às 23:05.




O Baú das Palavras...

Bem do fundo do baú da alma, libertam-se as letras, as palavras, as frases...

Escreve-me uma mensagem...
(e-m@il)


BookCrossing

Segredos no Baú

-- A lista da Calisto

-- Jack's Blog
-- 100nada (pt)
-- A lonely painter
-- Atacadores
-- Caixa de Chocolates
-- Caneta Sem Tinta
-- Coisinhas da Calisto
-- Contos&Contas
-- Cursed Children
-- Do lado de cá
-- Destination: myself
-- Diz a minha avó
-- Fechado para obras
-- Gato Fedorento
-- ideias pequeninas
-- Knoop
-- Loopings
-- Na parede do meu quarto
-- No Arame
-- O Blog do Putos
-- Pano do Pó
-- Planeta b612
-- Say What?
-- Searas de versos
-- The eye of my memory
-- Vinte Anos
-- Xobineski Patruska

(...)

 

No fundo do Baú

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